Abaixo-assinado revela rejeição quase unânime à Taxa Ambiental em Bonito/MS

Facebook
X
WhatsApp
Pinterest
LinkedIn

Um levantamento parcial realizado por meio de abaixo-assinado online mostrou aquilo que muitos empresários, trabalhadores e moradores já vinham alertando: a proposta da Prefeitura de Bonito/MS de cobrar R$ 15,00 por dia e por pessoa a partir de 20 de dezembro de 2025 enfrenta rejeição massiva.

O formulário já contabiliza 1.302 respostas, e o resultado é praticamente absoluto:
99,1% dos participantes se declararam totalmente contra a Taxa Ambiental.
Apenas 0,9% afirmaram ser favoráveis.

O gráfico gerado pela pesquisa — um círculo quase completamente azul — sintetiza a insatisfação da comunidade e do trade turístico, que identifica a medida como um risco direto para o futuro do setor.

Por que a população está contra a Taxa Ambiental

A rejeição não acontece por acaso. Empresários, moradores, guias e profissionais da área apontam uma série de consequências que devem afetar o turismo local caso a cobrança seja implementada. Entre as principais preocupações estão:

1. Redução imediata na procura por Bonito

Bonito é um destino altamente comparável com outras regiões de natureza no Brasil e no exterior. Uma taxa diária, por pessoa, se torna mais um obstáculo num momento em que os turistas já lidam com:

  • hospedagem mais cara em feriados e temporadas,

  • transporte até Bonito,

  • ingressos de passeios com valores mais altos devido à regulamentação ambiental,

  • alimentação e demais custos da viagem.

Especialistas consultados pelo setor afirmam que qualquer taxa adicional impacta a decisão final de compra, principalmente em viagens de famílias — público fundamental para a economia da cidade.

2. Fuga de turistas para destinos concorrentes

Destinos como Nobres (MT), Jalapão (TO), Chapada dos Veadeiros (GO) e até praias do nordeste não cobram taxas diárias por visitante. No momento de comparar orçamentos, Bonito corre o risco de perder competitividade.

E isso pode acontecer no pior momento possível:
2024 e 2025 já apresentam sinais de queda no volume de passeios realizados, segundo dados oficiais divulgados pelo próprio trade.

3. Prejuízo para todo o comércio local

A taxa não afeta apenas agências e atrativos. Afeta restaurantes, bares, lojas, mercado, farmácia, hotelaria e todo o ecossistema que depende do movimento turístico.

Para ilustrar:
Uma família de 4 pessoas, hospedada por 5 dias, pagaria R$ 300,00 somente de taxa. Esse valor poderia ser gasto em refeições, souvenirs, passeios extras ou hospedagem.

Ou seja: a taxa retira dinheiro que circularia internamente.

4. Inconstitucionalidade questionada

Advogados e contadores da cidade vêm alertando para pontos delicados:

  • O município não pode criar taxa sem base legal clara e sem comprovar um serviço específico prestado ao contribuinte.

  • A cobrança diária por pessoa se assemelha a um “pedágio urbano”, prática barrada em outras cidades sem justificativa concreta.

  • A Constituição e decisões recentes do STF exigem critérios técnicos e delimitação de serviços mensuráveis para tributar visitantes — o que não ocorre no projeto atual.

5. A imagem de Bonito pode ser prejudicada

Bonito construiu ao longo de décadas uma reputação nacional e internacional baseada em acesso controlado, preservação e qualidade.
No entanto, a repercussão da taxa pode criar uma percepção de “cobrança abusiva”, afastando quem planeja visitar pela primeira vez e irritando quem retorna ao destino com frequência.

O trade turístico reagiu — e a população também

O abaixo-assinado é apenas uma parte da mobilização. Dias atrás, comerciantes, empresários, guias, trabalhadores e moradores lotaram a Câmara de Vereadores para protestar contra a medida. A sessão precisou ser interrompida devido ao grande número de presentes.

Vereadores como André Luiz, Michele, Alemão do Som e Ramona já sinalizaram posição contrária à taxa. Outros parlamentares declararam apoio à discussão, mas enfrentam forte pressão da sociedade civil.

Risco real para 2026: queda na ocupação e no número de visitantes

A cobrança está prevista para começar exatamente na alta temporada de final de ano — período crucial para o faturamento da cidade.

O receio do setor é que muitos turistas simplesmente escolham destinos mais baratos, cancelando ou encurtando estadias em Bonito.
Com isso:

  • hotéis e pousadas teriam ocupação menor,

  • agências venderiam menos passeios,

  • guias perderiam renda,

  • comércio teria queda no movimento,

  • e a cidade arrecadaria menos em ISS e demais tributos.

Ou seja: a taxa pode gerar efeito contrário ao que promete.

O que o abaixo-assinado representa

Além de mostrar que a população está massivamente contra a cobrança, o resultado parcial evidencia que:

  • a decisão foi tomada sem diálogo suficiente com o trade;

  • o setor teme impactos diretos no fluxo turístico;

  • a medida não tem apoio popular;

  • e a comunidade quer ser ouvida antes de decisões que afetam toda a cadeia econômica.

Com a continuidade da mobilização, novos dados do abaixo-assinado devem reforçar ainda mais o posicionamento da cidade contra a taxa.

A coleta está sendo feita pelo formulário no Google, iniciado em 26 de Novembro de 2025