Um levantamento parcial realizado por meio de abaixo-assinado online mostrou aquilo que muitos empresários, trabalhadores e moradores já vinham alertando: a proposta da Prefeitura de Bonito/MS de cobrar R$ 15,00 por dia e por pessoa a partir de 20 de dezembro de 2025 enfrenta rejeição massiva.
O formulário já contabiliza 1.302 respostas, e o resultado é praticamente absoluto:
99,1% dos participantes se declararam totalmente contra a Taxa Ambiental.
Apenas 0,9% afirmaram ser favoráveis.
O gráfico gerado pela pesquisa — um círculo quase completamente azul — sintetiza a insatisfação da comunidade e do trade turístico, que identifica a medida como um risco direto para o futuro do setor.
Por que a população está contra a Taxa Ambiental
A rejeição não acontece por acaso. Empresários, moradores, guias e profissionais da área apontam uma série de consequências que devem afetar o turismo local caso a cobrança seja implementada. Entre as principais preocupações estão:
1. Redução imediata na procura por Bonito
Bonito é um destino altamente comparável com outras regiões de natureza no Brasil e no exterior. Uma taxa diária, por pessoa, se torna mais um obstáculo num momento em que os turistas já lidam com:
hospedagem mais cara em feriados e temporadas,
transporte até Bonito,
ingressos de passeios com valores mais altos devido à regulamentação ambiental,
alimentação e demais custos da viagem.
Especialistas consultados pelo setor afirmam que qualquer taxa adicional impacta a decisão final de compra, principalmente em viagens de famílias — público fundamental para a economia da cidade.
2. Fuga de turistas para destinos concorrentes
Destinos como Nobres (MT), Jalapão (TO), Chapada dos Veadeiros (GO) e até praias do nordeste não cobram taxas diárias por visitante. No momento de comparar orçamentos, Bonito corre o risco de perder competitividade.
E isso pode acontecer no pior momento possível:
2024 e 2025 já apresentam sinais de queda no volume de passeios realizados, segundo dados oficiais divulgados pelo próprio trade.
3. Prejuízo para todo o comércio local
A taxa não afeta apenas agências e atrativos. Afeta restaurantes, bares, lojas, mercado, farmácia, hotelaria e todo o ecossistema que depende do movimento turístico.
Para ilustrar:
Uma família de 4 pessoas, hospedada por 5 dias, pagaria R$ 300,00 somente de taxa. Esse valor poderia ser gasto em refeições, souvenirs, passeios extras ou hospedagem.
Ou seja: a taxa retira dinheiro que circularia internamente.
4. Inconstitucionalidade questionada
Advogados e contadores da cidade vêm alertando para pontos delicados:
O município não pode criar taxa sem base legal clara e sem comprovar um serviço específico prestado ao contribuinte.
A cobrança diária por pessoa se assemelha a um “pedágio urbano”, prática barrada em outras cidades sem justificativa concreta.
A Constituição e decisões recentes do STF exigem critérios técnicos e delimitação de serviços mensuráveis para tributar visitantes — o que não ocorre no projeto atual.
5. A imagem de Bonito pode ser prejudicada
Bonito construiu ao longo de décadas uma reputação nacional e internacional baseada em acesso controlado, preservação e qualidade.
No entanto, a repercussão da taxa pode criar uma percepção de “cobrança abusiva”, afastando quem planeja visitar pela primeira vez e irritando quem retorna ao destino com frequência.
O trade turístico reagiu — e a população também
O abaixo-assinado é apenas uma parte da mobilização. Dias atrás, comerciantes, empresários, guias, trabalhadores e moradores lotaram a Câmara de Vereadores para protestar contra a medida. A sessão precisou ser interrompida devido ao grande número de presentes.
Vereadores como André Luiz, Michele, Alemão do Som e Ramona já sinalizaram posição contrária à taxa. Outros parlamentares declararam apoio à discussão, mas enfrentam forte pressão da sociedade civil.
Risco real para 2026: queda na ocupação e no número de visitantes
A cobrança está prevista para começar exatamente na alta temporada de final de ano — período crucial para o faturamento da cidade.
O receio do setor é que muitos turistas simplesmente escolham destinos mais baratos, cancelando ou encurtando estadias em Bonito.
Com isso:
hotéis e pousadas teriam ocupação menor,
agências venderiam menos passeios,
guias perderiam renda,
comércio teria queda no movimento,
e a cidade arrecadaria menos em ISS e demais tributos.
Ou seja: a taxa pode gerar efeito contrário ao que promete.
O que o abaixo-assinado representa
Além de mostrar que a população está massivamente contra a cobrança, o resultado parcial evidencia que:
a decisão foi tomada sem diálogo suficiente com o trade;
o setor teme impactos diretos no fluxo turístico;
a medida não tem apoio popular;
e a comunidade quer ser ouvida antes de decisões que afetam toda a cadeia econômica.
Com a continuidade da mobilização, novos dados do abaixo-assinado devem reforçar ainda mais o posicionamento da cidade contra a taxa.





